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Aceleramos a Yamaha MT-07 de Rafael Paschoalin

Um papo aberto sobre sua Yamaha, Pikes Peak e as dificuldades de ser piloto no Brasil

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Karina Simões
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Neste mês, o piloto brasileiro Rafael Paschoalin, 33 anos, confirmou sua participação na corrida de subida de montanha de Pikes Peak, em Colorado Springs, nos Estados Unidos. Felizmente, o anúncio foi feito em um evento da Yamaha - marca patrocinadora do piloto -, e, por isso, pude experimentar a  preparada para o Rafa correr a prova.

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Legenda: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin
Crédito: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin

QUEM É RAFAEL PASCHOALIN?

Rafael Paschoalin é o único piloto brasileiro que leva nossa bandeira às corridas mais perigosas do mundo. Hoje, é o piloto oficial de Road Racing da Yamaha Brasil, mas sua história com as motos começou cedo, por influencia de seu pai, Vail Paschoalin, que também foi piloto. Rafa já foi editor de uma das principais revistas de motociclismo do país e hoje divide seu tempo se preparando para as competições e dando aulas particulares de pilotagem.

Rafael Paschoalin
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Legenda: Rafael Paschoalin
Crédito: Rafael Paschoalin

Entre suas principais conquistas, podemos destacar os títulos de Supermoto em 2003, 2004 e 2008 e também o título nas 500 milhas de Interlagos, em 2009. Em 2013, ele foi o primeiro brasileiro – e hoje ainda é o único - a participar do Tourist Trophy da Ilha de Man, o TT, corrida de rua que acontece na ilha entre a Irlanda e a Grã-Bretanha. Em 2015, ele trouxe para o Brasil duas réplicas de bronze da corrida mais difícil e perigosa do mundo. Além dos três anos de TT, Rafa também correu em 2012 e 2015 o North West 200, na Irlanda.

Em 2016, ele se tornou o primeiro sulamericano a participar de Pikes Peak, e, por conta de uma falha mecânica, não voltou de lá com um pódio. Em 2017, o piloto voltará à montanha para lutar pela vitória na classe Middleweight.

O TT é um projeto de vida, acordo e durmo pensando nisso, e a cada ano que eu me ausento é como morrer um pouco. Pouca gente entende a gravidade de sair de casa com um testamento pronto. É pesado lidar com a morte em um simples jogo, mas é por isso que todos estão lá, para vencer a pista.

A CORRIDA PARA AS NUVENS

A Pikes Peak International Hill Climb (PPIHC) é uma prova para carros e motos que acontece desde 1916. O percurso tem uma distância de 19,99 km (12,42 milhas), 156 curvas e chegada a 4.300 metros de altitude. Neste ano, a prova acontece em 25 de junho e há quatro categorias para motocicletas: Challenge, Heavyweight, Middleweight e Lightweight.

Od – Rafa, conte um pouco sobre Pikes e sobre sua participação em 2016.

RP - Pikes Peak é uma corrida diferente, não dá para comparar com a Ilha de Man. Ela é tão difícil quanto, pois é manhosa, não deixa que os pilotos conheçam seus segredos facilmente. Porém, ela é menos mortífera. Há alguns anos, a prova permitia motos esportivas, mas após alguns acidentes fatais o regulamento foi alterado. Agora, apenas motos naked ou bigtral podem se inscrever. O intuito disso foi a prova ficar um pouco mais lenta, ou seja, mais segura.

Foi um aprendizado, a prova é muito difícil, você não tem oportunidade de treinar ali. Eu só passei por cada uma das 156 curvas quatro vezes. Você imagina chegar numa pista, dar quatro voltas e acelerar? Agora, imagine você fazer isso em uma pista com 156 curvas e nenhuma área de escape, nenhuma margem para erro? Então, tem que ir com calma.

No ano pasado, meu ano de estreia, eu estava muito bem no dia da corrida, domingo. Eu estava na quarta colocação até o penúltimo setor da prova quando senti a traseira da moto começar a escorregar. Olhei para o pneu, na curva, e vi que ele estava meio murcho. Como tinha acontecido um acidente antes, fiquei meio cismado. Toda vez que acontece um acidente nesse tipo de prova você liga uma chave de emergência no cérebro e a qualquer anomalia, tira a mão. Foi isso o que aconteceu. Um amigo já havia se esborrachado penhasco abaixo e eu fiquei preocupado. Quando a moto começou a escorregar, abortei a subida.


No final das contas foi ruim porque o pneu chegou lá em cima em condições de terminar a prova. Então, eu deveria ter seguido com a moto escorregando e diminuído um pouco o ritmo, que com certeza eu terminaria em quarto. Terminei em sexto, muito longe do meu target, do tempo que eu conseguiria fazer.

Foi um aprendizado, a prova é muito difícil, você não tem oportunidade de treinar ali. Eu só passei por cada uma das 156 curvas quatro vezes. Você imagina chegar numa pista, dar quatro voltas e acelerar? Agora, imagine você fazer isso em uma pista com 156 curvas e nenhuma área de escape, nenhuma margem para erro? Então, tem que ir com calma.

Este ano, porém, a ideia é ir com tudo. Eu já estou muito melhor na MT, a moto vai ficar muito mais evoluída. Ano passado andei com uma moto original, agora vamos com uma moto muito mais preparada, por isso acho que temos chances de ganhar. De verdade.

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Legenda: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin
Crédito: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin

A MOTO

A MT-07 foi lançada no Brasil em 2015 e se destaca pelas já conhecidas características herdadas da família MT: visual arrebatador, facilidade de pilotagem, leveza e um baita torque. São 6,9 kgf.m de torque máximo a 6.500 giros, originais de fábrica. É mais do que a velha conhecida Hornet (6,5 kgf.m), mais que a Triumph Street Triple (6,0 kgf.m), e este torque faz dela uma moto boa para subida. No entanto, ela entrega menos potência, são 74,8 cv originais, contra os 85 cv da Street Triple vendida no Brasil e 102 cv da saudosa Hornet.  

Para a moto do Rafa, foi feita uma preparação de motor visando aumento de potência, que segundo o piloto está longe de terminar. Foi feito também um retrabalho nos dutos do cabeçote, no ângulo de válvula, na taxa de compressão, enquadramento do comando de válvulas e retífica no corpo de borboletas. O escape é full da Jeskap, fabricante brasileiro de escapamentos de performance, e a MT-07 do Rafa anda sem filtro de ar algum, apenas com corneta, o que explica também o ronco bem mais encorpado.

Para ocasições de corrida ou treino, o piloto reprograma a ECU, o que garante um ganho e tanto de potência. Rafa explica que sua MT ainda não passou no dinamômetro, mas a meta é deixá-la com 90 cv, ou seja, mais de 15 cv em relação à versão standard do modelo.

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Crédito: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin

Fui convidada a experimentar a moto na pista do Haras Tuiuti, interior do estado de São Paulo. A primeira dica foi lembrar que o câmbio estava invertido. Ok, eu repetia o mantra “reduz para cima” incansavelmente enquanto ligava a MT do Rafa. Geralmente, as motos de corrida têm o câmbio invertido para que o piloto ganhe alguns milésimos de segundo nas subidas de marcha e também para facilitar a troca em uma curva para esquerda, quando a moto está muito inclinada não há espaço para bota acionar o câmbio por baixo.

A moto veste muito bem e, preparada como está, além de acelerar mais, freia mais e entrega muito mais estabilidade, por conta do retrabalho nas suspensões. Ela foi equipada com a linha de freios da Hell, pastilhas AP Racing e a suspensão traseira é totalmente regulável, com amortecedor Sachs e novas molas. A suspensão dianteira também ganhou molas especiais, um novo calço e óleo especial de alta performance. É notável também a posição das novas pedaleiras especiais Bullet, bem mais recuadas. Os pneus de corrida são Metzeler Race Tech RR.

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Crédito: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin

Eu já gostava muito da MT, mas confesso que a versão preparada para Pikes me deu uma injeção de endorfina instantânea. Pelo tamanho da pista e por ser uma moto extremamente na mão, posso afirmar que me diverti muito mais com ela do que com a arrebatadora R1M na ocasião, além disso, tive um coach particular com o piloto, o que me deu muito mais confiança para acelerar sua MT-07 e melhorar meus tempos de volta.

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Crédito: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin

113 COACH

A didática em ensinar não é à toa. Entre os treinos, Paschoalin dá aulas particulares de pilotagem defensiva ou esportiva para qualquer tipo de motociclista com qualquer tipo de moto. No curso, o aluno tem uma parte teórica e muita prática, onde o professor usa muito a GoPro para registrar o trajeto do aluno e mostrar onde ele pode melhorar. “Se você comprou um PCX e tem medo do trânsito, a gente vai andar o dia inteiro em São Paulo para melhorar essa deficiência. Se você tem uma moto bigtrail e quer se aventurar na terra, a gente vai fazer uma viagem off-road, para motos esportivas, vamos para circuitos de corrida, se o cara tem uma naked e tem pavor de curva, vamos trabalhar espeificamente isso, e por aí vai”, explica Paschoalin. O custo parte de R$ 600 por dia. “Se a gente contar que eu fico das 8h até às 16h, sai mais barato que um professor de inglês ou um personal trainer, e a aula é feita com o piloto do TT, então, vale a pena!”, brinca. Se você animou, pode entrar em contato com o piloto pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (12)996052577.

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Crédito: Yamaha MT-07 Rafael Paschoalin

DIFICULDADES

Od – De tantos pilotos brasileiros, você foi o único a realizar provas de rua, como o TT Ilha de Man ou a subida de montanha de Pikes. Por que? O que te motivou e o que te atrai nessas provas?

RP - Gosto do risco das corridas de rua, de colocar a vida nas próprias mãos, de saber que tudo depende da minha capacidade e também do cuidado da minha equipe com a moto. O TT é um projeto de vida, acordo e durmo pensando nisso, e cada ano que eu me ausento é como morrer um pouco. Pouca gente entende a gravidade de sair de casa com um testamento pronto. É pesado lidar com a morte em um simples jogo, mas é por isso que todos estão lá, para vencer a pista.

Od – Acompanho há alguns anos sua busca por maneiras de viabilizar a ida às provas com patrocinadores e até com projetos de crowndfunding como "O Pote". Até quando você acha que vai ter gás para correr atrás de apoio? Pode me dar uma ideia do investimento necessário para participar de uma prova como Pikes?

RP - Não perder as esperanças é, talvez, o que eu tenho de mais forte. Minha vida financeira está se normalizando agora, mas isso me custou dois TTs, que custam no minimo R$ 150 mil reais cada. Pikes é mais barato, R$ 45 mil reais paga a conta, mas nesse esporte tudo está diretamente ligado à grana. Fiquei em 30º entre 90 caras no TT 2015 já com a R1 nova. Foi uma vitória com o orçamento que eu tinha, fazendo vaquinha nos boxes para comprar amortecedor de direção... Ainda tenho mais dez anos de TT, só preciso que as coisas fiquem um pouco mais favoráveis, pois ja não sei se sou determinado ou teimoso!   

Acompanhe a participação do Rafa em Pikes Peak aqui no Od. Estamos na torcida!

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